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Maternidade Programada

Congelamento de óvulos garante que a mulher opte por se tornar mãe no seu próprio tempo

 

Um dos grandes dilemas na vida de uma mulher é a escolha pela maternidade. Se ela quer ou não ser mãe, em que idade e momento da vida, se com parceiro ou sozinha, se quer ter mais de um filho, enfim, as perguntas são infinitas e começam ainda na infância, pela inocência da brincadeira com bonecas, ganhando força ao entrar na fase adulta.

Mudanças na tecnologia e na medicina, hoje permitem que as mulheres decidam o seu destino como mães, se assim desejarem, com mais tranquilidade e assertividade. Um dos procedimentos que facilitam essa escolha é o congelamento de óvulos, técnica simples que garante à mulher, tempo para entender suas vontades e decidir se quer ser mãe no médio ou longo prazo.

“Congelamento de óvulos nada mais é do que congelar a possibilidade futura de ter um filho. Percebo uma alta procura pelo procedimento, vinda de mulheres que ainda não tem certeza se querem maternar, mulheres homoafetivas, mulheres que estão passando por um câncer antes de terem filhos, mulheres em alto potencial na carreira ou na área acadêmica, que precisam de tempo para si e, um alerta maior em mulheres as quais a mãe entrou em menopausa antes dos 45 anos”, explica a médica ginecologista e obstetra Giovanna Ranzi Cobalchini, especialista em reprodução humana.

A profissional lembra que a mulher nasce com uma quantidade específica de óvulos, não sendo produzidos durante a vida, ou seja, conforme os anos passam o corpo se modifica, a mulher perde os óvulos e, consequentemente, esse potencial fértil, principalmente a partir dos 35 anos. Por isso o congelamento se torna uma alternativa, assim, os óvulos podem ser extraídos em maior qualidade e quantidade ainda na juventude, aumentando as chances de, no futuro, quando a mulher decidir ser a hora, descongelar, realizar a fertilização in vitro e ter sucesso na gravidez.

“É importante entender que congelar óvulos é um processo no qual são necessárias algumas etapas, como exames laboratoriais e sorológicos, estimulação da ovulação durante 10 a 12 dias com medicações hormonais e amadurecimento dos óvulos, coleta após uma sedação anestésica e a vitrificação dos óvulos em laboratório. O ideal é que a paciente esteja num peso adequado, sem tabagismo, diminuindo o consumo de álcool e sem uso de anticoncepcional. Alguns tratamentos de pele e cabelo precisam ser suspensos entre 60 e 90 dias antes e, se necessário, pode ser feito o uso de suplementação vitamínica”, Giovanna reforça.

 

Giovanna Cobalchini, médica ginecologista e especialista em reprodução humana. Imagem: Ana Possamai

 

Alguns casos exigem atenção especial. Pacientes com alguma doença pélvica tal qual endometriose, por exemplo, realização de cirurgias abdominais prévias e câncer, podem ser agravadores na hora de tomar a decisão da maternidade e optar por realizar o procedimento. Esse é o caso de Elizandra Zatt, de 29 anos. A profissional de marketing descobriu um câncer de mama no final de 2023, momento em que ainda nem pensava sobre se tornar mãe.

Com exames e tratamentos em vista, Elizandra se viu tendo que tomar uma das decisões mais importantes de sua vida em menos de um mês após receber o diagnóstico. “Nunca tive certeza absoluta da maternidade, imaginava que algum dia gostaria de me tornar mãe, mas nada que pensasse com afinco para curto prazo. Quando recebi meu diagnóstico, precisei repensar essa questão, pois uma das consequências da doença pode ser a infertilidade, o que me fez perceber que sim, quero uma família tradicional, só não tão cedo”, conta.

Em função da doença e da questão hormonal que a extração dos óvulos exige, empecilho para a doença e seu tratamento, Elizandra tomou uma decisão rápida, mas respaldada pela doutora Giovanna, passando pelas preparações antes de iniciar a quimioterapia

“No meu caso, em função do bloqueio hormonal para o tratamento do câncer de mama, só vou poder tentar engravidar quando finalizar completamente o tratamento, em torno dos meus 35 anos, que é uma faixa etária ok para meu planejamento. Para fazer o procedimento, passei por um tratamento hormonal que estimulou a produção, amadurecimento e liberação dos óvulos. Isso mexe muito com o corpo, em disposição, inchaço, dores e cólicas, não podemos fazer muito esforço físico para não haver perda ou ruptura dos óvulos, por isso é necessário repouso e cuidado total com o corpo”.

Elizandra finaliza reforçando que, mesmo levemente desconfortável, o procedimento de congelamento dos óvulos lhe trouxe perspectiva e opção de decidir pela maternidade e pelo desejo de constituir uma família. “Fiz tudo muito cedo a partir do diagnóstico, para garantir minhas opções, mas ainda não sabia como lidar com a situação. Sei que uma mulher saudável pode fazer várias coletas, mas em particular no meu caso, pelo desenvolvimento da doença e início do tratamento, só foi possível fazer uma. Meu marido é médico e, quando descobrimos a doença, ele foi um grande porto seguro, inclusive em ir atrás de entender e me mostrar como o procedimento funcionava, quais os riscos e benefícios, ter esse apoio do meu parceiro foi essencial para passar por esse período com mais leveza”, finaliza.

 

 

Elizandra Zatt. Imagem: Ana Paula Omizzolo
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