Metaverso

Passado, realidade ou tendência? Muito se fala que a tecnologia através de inteligência artificial, automação, hiper automação, realidade virtual, redes sociais, plataformas, roupas, drones e até mesmo o Metaverso irão fazer com que sejamos avatares de um mundo totalmente paralelo. Mas será que isso tudo é verdade? Já está acontecendo?

Para iniciar, vamos descrever como funciona a Realidade Virtual e Metaverso, através do olhar e conhecimento do Tech CEO Núcleo Sistemas, Dr. Pedro Bocchese. Resumidamente, na realidade virtual, as coisas acontecem dentro de um ambiente virtual e não em um ambiente físico, ou seja, em ambientes criados em estruturas tridimensionais.  Nesta tecnologia utilizamos óculos de Realidade Virtual, além de roupas, luvas e outros dispositivos para ampliar a interação e a experiência. Já a Realidade Aumentada é o que identificamos como “o real aumentado pelo digital”, sendo adicionados objetos em 3D dentro do ambiente real. Realidade mista ou realidade híbrida é a tecnologia que une características da realidade virtual com a realidade aumentada. “Eu trago o conceito de Experiência Imersiva como sendo um guarda-chuva abarcando as tecnologias de Realidade Virtual, Aumentada e Mista, além de conteúdos como imagens e vídeos com o objetivo de criar plataformas e ambientes multissensoriais”, explica Bocchese.

Voltando para a linha do tempo, após a indústria de games ganhar grande espaço com a utilização dessas tecnologias, em meados de 2012, iniciou-se um movimento no Brasil com a utilização dos óculos de Realidade Virtual Rift integrado com um equipamento para simulações de treinamentos em empresas de vários segmentos. Isso deve-se pois os simuladores necessitavam de processamento, armazenamento e memória para processar em tempo real os ambientes e as interações dos usuários. “Logo após essa aceleração, a Samsung trouxe para o mercado o Gear VR com a opção de integrar os smartphones da própria marca para conseguir melhorar o processamento e a implementação de projetos em Realidade Virtual. Deixo como limitação desta pesquisa a identificação de vários outros óculos de Realidade Virtual que vieram para o mercado nos quais era possível colocar um smartphone dentro do próprio dispositivo para ter um processo de imersão, sendo que funcionavam como uma extensão dos óculos para fazer o efeito dos movimentos em 360 graus”, relata.

Várias empresas aplicaram treinamentos, principalmente nas áreas de segurança do trabalho, percepção de riscos, integrações de colaboradores e processos produtivos utilizando Realidade Virtual com os óculos da Samsung. Com um movimento de mercado, o Facebook (Meta) adquiriu a marca “Oculus” e muitos imaginavam que era para a área de entretenimento, mas analisando o movimento que ocorreu em 2021 com o Metaverso, talvez teria sido algo realmente planejado. “Não saberemos, mas tudo isso que ocorreu desde o Gartner Group abordar como “aplicáveis” os conceitos de Realidade Virtual e Aumentada e a Meta movimentando as mídias com o conceito Metaverso, já estamos vivenciando essa transformação no dia a dia. A internet, as redes sociais, a comunicação, os óculos de Realidade Virtual, os smartphones, as criptomoedas, entre outros tópicos fizeram com que hoje o Metaverso fosse aplicável. Nós fizemos parte de várias ondas anteriores de adaptabilidade para estarmos aqui hoje facilitando o Metaverso”, enaltece Bocchese.

 

Curiosidade: Mas esse conceito “Metaverse” foi criado pelo Mark Zuckerberg? 

Não, esse conceito foi cunhado pelo autor Neal Stephenson em seu romance de ficção científica de 1992 “Snow Crash”, que prevê um sucessor baseado em realidade virtual para a internet. No romance, as pessoas usam avatares digitais de si mesmas para explorar o mundo online, muitas vezes como forma de escapar de uma realidade distópica.

Muitos filmes e séries buscam representar esse conceito, como o filme Jogador Número 1 e a série Upload. “Essa representação de um espaço coletivo onde podemos ser nós mesmos ou mesmo outros personagens é muito interessante, ver o processo de monetização e personalização realmente são os destaques nestes exemplos”, motiva-se.

Várias empresas estão desenvolvendo seus “Metaversos”, e cada um com suas particularidades. “O maior desafio será a interoperabilidade desses ambientes, ou seja, entrar e sair levando consigo suas características, posses, históricos, etc. Quando abordamos o conceito de “posse” de um arquivo digital, além de falarmos sobre blockchain, devemos falar de NFTs. Em suma, podemos pensar em um quebra-cabeça. O arquivo digital é separado em peças e quando unido de forma correta, valida-se toda a estrutura digital. Já sobre o conceito de NFTs (token não fungível), vou me limitar para refletir que somente com a interoperabilidade dos “Metaversos” será possível garantir a base que sustentará esse conceito que busca garantir uma autoria ou a posse de um arquivo digital. Sendo assim, se estivermos em um Metaverso e entrarmos em outro, essas garantias e estruturas deverão ser suportadas automaticamente”, explica Bocchese.

Por fim, vamos para alguns exemplos práticos. Várias empresas estão investindo muito no Metaverso, e posso destacar a Nike, Tim, Itaú, Microsoft, Gucci, Stella Artois, Vans, etc. Cada uma com suas estratégias e seus objetivos. Trazendo para a nossa região, já temos exemplos de Lives, Palestras, Feiras, Centrais de Atendimento, Aulas, Entrevistas, Reuniões e mesmo sessões diversas.

A aplicabilidade do conceito Metaverso é infinita, sendo que a construção da ideia para buscar criar uma experiência única para os visitantes se torna essencial atualmente. Vamos pensar a tecnologia como meio e não como fim, ou melhor, uma caixa de ferramentas da qual possamos pegar algumas tecnologias e aplicar ao nosso negócio.

Exemplos de imagens de aplicação que tiveram um grande resultado, tanto a nível de engajamento, quanto a nível de resultado.

Neste evento, era possível interagir através de chat e acompanhar a apresentação.

Trata-se de uma feira onde cada visitante podia interagir com os estandes e os avatares que eram representados por cada responsável pelas empresas.  Foi mapeada a circulação dos visitantes e havia um painel de indicadores e visões para identificar as conversas, visitantes totais e únicos por estande.

Uma agência para atendimento dividida em várias células, cada uma com um tipo de atendimento. Uma delas utilizava-se de uma árvore de diálogo com Inteligência Artificial para atendimento e, nas demais, quando o visitante chegava no avatar, um humano era acionado para conversar com o visitante.

O futuro dos negócios é a realidade virtual

 

O Metaverso é visto como um futuro próximo que trará diversas mudanças no nosso cotidiano e até mesmo na maneira de fazer negócios.

A empresa Meta4Chain está na vanguarda do processo no mercado de tecnologia imersiva. Ela possui menos de um ano de funcionamento. Seu objetivo é de dar acessibilidade às pessoas a tecnologias da web 3.0. Conversamos com três integrantes da Meta4Chain sobre o mundo Metaverso.

Segundo Leandro Nascimento, Head Comercial, Metaverso é um mundo figital, um mix do mundo digital com o mundo físico. “Onde você pode fazer interação com outras pessoas, não apenas validando uma imagem num vídeo ou clicando em opções. Uma experiência real num mundo virtual”, avalia.

A ideia de usar realidade virtual para proporcionar experiências imersivas em um ambiente 3D já era conhecida no mundo dos games, mas ganhou ainda mais força desde que o Facebook mudou seu nome para Meta e anunciou que iria investir nesse mundo virtual.

 

Aplicação

Soluções de tecnologia, como realidade virtual e simuladores em 3D são exemplos mais simples de aplicação. Os entusiastas dizem que o Metaverso afetará as mais variadas áreas de nossas vidas. “Com certeza, no futuro poderemos sentir o peso dos produtos, o cheiro, tudo de forma virtual, esse conceito do Metaverso se tornará realidade”, conta Nascimento.

Para André Tessari, engenheiro de segurança e sócio da Meta4Chain, tudo tem um tempo de maturação e quem entra hoje nesse mercado vai ter validação de processo entre um ou dois anos. “Imagina você ter seu avatar e entrar de forma virtual em um shopping em São Paulo e acessar lojas de todos os tipos para fazer compras, especialmente de roupas e calçados. Provar, se ver vestindo aquele produto. Isso é uma das propostas do Metaverso”, explica.

 

O Futuro

A promessa é de que o Metaverso irá modificar o mundo como conhecemos hoje, tendo influência direta no mercado como um todo e também na maneira em que interagimos e fazemos as coisas.

Filipe Toledo, Head de Conexão e Relacionamento, conta que tudo está acontecendo muito rápido, mas que isso não será a curto prazo. Os próximos anos irão dizer como tecnologias voltadas para ele irão ser aplicadas no nosso dia a dia. “Precisamos ainda melhorar as condições de acesso à internet de alta velocidade, acredito que o 5G nos trará mais condições para desenvolver todo esse trabalho”, argumenta.

“O futuro nos guarda uma maior imersão, estar mais próximo das marcas preferidas, dos artistas preferidos, ir ao show do seu cantor preferido”, acredita Tessari.

Levantamento do instituto de pesquisa Kantar Ibope Media mostra que 6% dos brasileiros que usam a internet já transitam por alguma versão do Metaverso. Isso corresponde a cerca de 4,9 milhões de pessoas. “Nos próximo 10 anos as tecnologias do Metaverso estarão imersas nas casas das pessoas de forma visceral”, aponta Nascimento.

 

 

Arquitetura e Design no Metaverso

A arquitetura e o design aliados aos interesses das redes, pode se tornar um grande potencial de sociabilização, bem como de socialização dos ciberespaços. Uma novidade é que, com a virtualização da arquitetura, muitos dos edifícios têm elementos não apoiados no solo, e por sua vez a gravidade se torna insignificante. “Dessa forma, a arquitetura no metaverso poderá ser um grande potencial de testes de modelos de serviço”, salienta Carlos Marcelo Campos Teixeira, professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Seul, capital da Coreia, por exemplo, no seu novo projeto de digital twins, oferece os serviços básicos de uma cidade no Metaverso, evitando deslocamentos estressantes e desnecessários, além de estimular o usuário a usar o tempo livre para usufruir da cidade real.

Outro ponto positivo é a reaproximação da arquitetura com o design visando uma maior precisão no desenvolvimento, teste por meio de modelos virtuais, mock-ups de estudo e vivência, tudo isso antes de ser construída. Sem surpresas negativas. Pois os espaços, serão testados parcialmente, por meio das interações de humanos virtuais.

“Porém, ainda temos grandes desafios para que o mesmo se estabeleça e se torne mainstream. Uma série de fatores como a não implementação e estabelecimento do 5G, a necessidade de grandes fazendas de processamento de imagens” e uso de equipamentos robustos para a operação e desenvolvimento de cenas”, destaca Campos.

“Também o desenvolvimento de ambientes 3D, onde a arquitetura tem uma grande capacitação, experiência e vivência, mas infelizmente ainda não descobriu, pois somente quem desenha esses ambientes são designers gráficos que dominam artes bidimensionais e ou adolescentes ávidos por jogar”, finaliza o professor.

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