Salão do Móvel de Milão

Em destaque mundialmente, o Salone del Mobile Milano – Isaloni, apresentou em Milão, a proposta de um (re)começo do presente com os olhos para o futuro, com mobiliário ético e consciente, gerando condições e ambientes de bem-estar, refúgio e inclusão. Como de costume, a edição 2022 protagoniza referências que refletem plenamente a importância e a qualidade do design e mobiliário, a serem seguidas por profissionais do mundo todo.

Bento Gonçalves é presença forte, não apenas no Isaloni, como em uma grandiosa fatia produtiva do mobiliário, se tornando, assim, ao longo dos anos, um dos principais polos moveleiros do país.  A cidade, no sul do Brasil, movimenta o setor comercialmente, fazendo com que a economia do Rio Grande do Sul, seja fortemente relevante e reconhecida nacionalmente e internacionalmente.

 

E para elevar o nome da cidade, de 7 a 12 de junho, profissionais bento-gonçalvenses estiveram gerando networking no Isaloni. Confira o que eles contam:

O Studio Marta Manente, se faz presente na Semana de Design de Milão. Desde 2016, representando o design brasileiro tanto no Fuori Salone quanto Isaloni, com lançamento de produtos autorais. Esse ano, com peças para uso outdoor, em collab com a paulista Modalle, a designer apresentou três produtos no Hall 18  – RHO Fiera Milano: Luminária Jericoacora, mesa lateral Andros e Poltrona Sancho.

Pelo olhar de Marta Manente: “esse ano foi o aniversário de 60 anos do Isaloni, marcando o retorno do pós-pandemia. A feira apresentou grandes marcas, com estandes voltados para o conforto das casas. Estandes com “menos show como nos anos anteriores, e mais “real life”, produtos viáveis”, reforça.

Segundo a profissional, as cores deixam de ser dramáticas para serem tranquilas, calmas e suaves, e todos os atributos dos ambientes estavam em torno do conforto. Elementos naturais e com efeitos desconstruídos. “Muitas vezes ambientes unicolores, mas com a aplicação de diferentes texturas, em que o resultado foi extremamente elegante. A sensação é de: “sentir a casa na ponta dos dedos…”, reporta Marta.

 

 

 

 

A PGB Inteligência Criativa, comandada por Paula Giacomoni Bragagnolo, esteve na feira analisando comportamentos. “Para nós da PGB inteligência, o olhar para a feira é sempre ambíguo – os detalhes e composições, para a arquitetura; mas também o contexto como um todo, dando um passo para trás e observando qual o comportamento que envolve tantas informações. E isso a Isaloni faz muito bem: ela é claramente um dos maiores vetores de transformação das tendências socioculturais para as estéticas”, pontua.

Seguindo no mesmo ritmo da moda, por exemplo, a feira apresentou resgates oitentistas – de madeiras escuras à contrastes de alto brilho, conta Paula. “O cenário de resgate (e levemente maximalista, em contrapartida do all white dos ultimos anos) anda lado a lado também com o essencialismo dos tons terrosos e principalmente a influência oriental – nas divisórias, iluminação e acabamentos. Pode-se dizer que a Isaloni apresentou uma evolução dos interiores pós-pandêmicos, estudando novos estilos de design através do resgate de peças icônicas e experimentação de novos contrastes e texturas”, declara Paula.

 

 

 

A Finger Bento Gonçalves e Caxias do Sul, também marcou presença no Isaloni. O empresário Jaison Fornasier conta que todos os anos a feira surpreende no quesito tecnologia e esse ano não foi diferente. “Outro ponto marcante foram as macrotendências  que estão explicitas em todos os estandes. Na minha opinião sobre mobiliário, em todos os anos que fui a mostra sempre está num nível muito alto e mantendo a mesma linearidade”, relata.
Notoriamente em sua visão sobre mobiliário, alguns itens como tendência são os ripados usinados na madeira que compôs a maioria dos ambientes, o retorno das curvas em abundância, tanto nas modulações quanto nas bancadas, a utilização das resinas poliméricas com inúmeras texturas e cores, tecnologia aplicada nos ambientes, cada vez mais integrando eletrônicos e eletros, os metais complementando não só nas estruturas externas mas também em frentes e modulações, a iluminação que já era vista em anos anteriores, compõem de forma indireta todos os móveis aplicados.
“Sem dúvidas o que mais chama a atenção é que a feira é gigante e abrange tudo que se possa imaginar com relação a design, tecnologia de interiores, macrotendências. Impossível conseguir ver tudo e assimilar no tempo em que ela fica aberta ao público. É sem dúvidas o maior balizador mundial de tendência para mobiliários fixos e soltos (para nossa região que é polo moveleiro no Brasil) e quem visita a mostra com um olhar técnico e criterioso, sai na frente”, esclarece Fornasier.
Para a Finger, a fábrica visita o Isaloni há alguns anos implementando muita coisa que acontece por lá no setor mobiliário. “Posso destacar as resinas poliméricas que com certeza muita gente foi para a feira em Milão e não percebeu que elas estão presentes em todos os ambientes. A Finger aposta nesse produto que já é comercializado por todas empresas da Europa e que são dos mesmos fornecedores que a gente”, explica.

E como não poderia ser diferente, o presidente do Sindmóveis Bento Gonçalves, Vinicius Benini, conferiu de perto as novidades trazidas para este ano. “Foi uma feira muito rica e que se reinventou para continuar relevante mesmo em meio à queda no número de expositores e visitantes – especialmente orientais e russos. Quanto à estrutura, percebi um comportamento semelhante às feiras brasileiras: muitas empresas com espaços reduzidos”, pontua.

Quanto aos produtos, o presidente observou poucas novidades realmente inovadoras em madeira. “Já o aço carbono teve grande relevância tanto em peças sem madeira quanto nas que mesclam os dois materiais. Essa com certeza é uma tendência para o mercado ficar de olho.

Outra tendência que sempre chama a atenção é o uso de cores. Vimos paletas diferentes, trazendo tons vibrantes como verde e laranja para os mais diversos materiais – desde madeiras e aço até tecidos e acabamentos. Os tecidos também ganharam destaque, especialmente aqueles mais macios e confortáveis ao toque. Isso nos leva a crer que a preferência por produtos que transmitem sensação de bem-estar (iniciada na pandemia) deve ficar pelos próximos anos”, acrescenta Benini.

 

E para o presidente da Movergs, Rogério Francio, a primeira edição pós-pandemia, gerou grandes expectativas em relação a lançamentos, design e inovação. Porém, a feira ficou bastante semelhante à edição de 2019. Além da área de exposição ter enxugado, não apareceram muitas novidades nem diferenciação. “A Europa está sentindo bastante a crise mundial, levando o iSaloni a diminuir bastante sua condição de líder em tendência e novidades. Ausência de importadores como China e Rússia, foram cruciais para o baixo rendimento de negócios”, detalha.

Destaque para o segmento de luxo, com estandes fortes e bem estruturados e produtos com valor agregado e diferenciados, explica Francio. “Também foi interessante visitar uma grande área que reuniu designers do mundo inteiro. Algumas marcas brasileiras se fizeram presentes no espaço da ApexBrasil com a Abimóvel, tanto no iSaloni como no FuoriSalone. Os brasileiros, aliás, foram o maior público presente nesta edição, atrás somente da comunidade europeia”, conta.

EuroCucina 2022, que acontece simultaneamente à feira, sempre ocupou o espaço principal do evento. “Nesta edição, porém, foi reduzida pela metade e deixou de contar com boa parte dos principais fabricantes europeus. Não trouxe novidades, mas se percebeu em parte, a ausência de puxadores, pouca utilização de pinturas em laca e acessórios que sempre são um destaque. Quanto às tendências, vale ressaltar que a combinação monocromática foi muito explorada. Cores como azul jeans, rosa antigo, verde água e neutras claras estavam presentes em grande parte das linhas. Também, muitos trançados em cadeiras e poltronas, a volta de tubos metálicos pintados na decoração e cromados nas linhas de banho e aramados”, enaltece Francio.

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